Os dois circuitos – vídeo

A modernização tecnológica conduzida pela razão efetiva da racionalidade – verticalidade – produz transformações na economia das cidades do espaço periférico. Essas transformações podem ser percebidas na produção, circulação e distribuição de atividades e mercadorias da cidade a partir de dois subsistemas que funcionam em conjunto: os dois circuitos.

“Um destes circuitos é o resultado direto da modernização e diz respeito a atividades criadas para servir ao progresso tecnológico e à população que dele se beneficia. O outro é também um resultado da modernização, mas um resultado indireto, visto que concerne àqueles indivíduos que só parcialmente se beneficiam, ou absolutamente não se beneficiam, do recente progresso técnico e das vantagens a ele ligadas” (Milton Santos. Da totalidade ao lugar. p.96)

“[…] Cumpre, porém, estabelecer desde já que a diferença fundamental entre as atividades do circuito superior e do circuito inferior está baseada nas diferenças tecnológicas e de organização.” (Milton Santos. Da totalidade ao lugar. p.100)

“Assim, não há dualismo: os dois circuitos têm a mesma origem, o mesmo conjunto de causas e são interligados. Contudo, é necessário precisar que, apesar de sua aparente interdependência, o circuito inferior aparece como dependente do circuito superior […]” (Milton Santos. O espaço dividido. p. 56)

“A atividade do circuito superior é, em grande parte, baseada na publicidade, que é uma das armas utilizadas para modificar os gostos e deformar o perfil da demanda. No circuito inferior, a publicidade não é necessária, graças aos contatos com a clientela, e tampouco seria possível, já que a margem de lucro vai diretamente para a subsistência do agente e de sua família” (Milton Santos. O espaço dividido. p. 46-47)

“As atividades do circuito superior beneficiam-se direta ou indiretamente da assistência governamental, enquanto as atividades do circuito inferior não têm ajuda e além disso quase sempre dão lugar a perseguições, como é o caso dos vendedores ambulantes em muitas cidades.” (Milton Santos. Da totalidade ao lugar. p. 103)

 

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