Psicoesfera e Tecnoesfera – A urbanização brasileira

“A regulação da economia e a regulação do território vão, agora, impor-se com ainda mais força (…) O aprofundamento da divisão do trabalho impõe formas novas e mais elaboradas de cooperação e de controle. (…)

As novas necessidades de complementaridade aparecem paralelamente à necessidade de vigiá-las, acompanha-las e regulá-las. (…)

As necessidades de informação, inerentes à presença do meio técnico-científico e exigidas por sua operação, fazem com que, ao mesmo tempo em que se instala essa tecnoesfera, haja a tendência paralela à criação de uma psicoesfera (Santos, 1988a) fortemente dominada pelo discurso dos objetos, das relações que os movem e das motivações que os presidem. A tecnoesfera adapta-se aos mandamentos da produção e do intercâmbio e, desse modo, frequentemente traduz interesses distantes; desde, porém, que se instala, substituindo o meio natural ou o meio técnico que a precedeu, constitui um dado local, aderindo ao lugar como uma prótese. (…)

A relação entre a “reorganização da estrutura produtiva do País, iniciada nos anos de 1960 sob o regime militar” e a criação de “uma base técnica e econômica dos processos modernos de comunicação” é identificada por Ana Clara T. Ribeiro (1991, p. 46), quando inclui o sistema moderno de comunicação “como parte do aparelho institucional criado para o desenvolvimento de estratégias de controle do território nacional” e, em sua face econômica, como elo articulador e agilizador dos mercados. (…) “Essa psicoesfera”, diz A. C. T. Ribeiro (1991, p.48), consolida “a base social da técnica e a adequação comportamental à interação moderna entre tecnologia e valores sociais”, e é por isso mesmo que a psicoesfera “apoia, acompanha e, por vezes, antecede a expansão do meio técnico-científico”.

Tecnoesfera e psicoesfera tornam-se redutíveis uma à outra. Esse novo meio geográfico, graças ao seu conteúdo em técnica e ciência, é indutor e condicionante de novos comportamentos humanos, e esses aceleram a necessidade da utilização de recursos técnicos, que por sua vez constituem a base operacional de novos automatismos sociais.

Tecnoesfera e psicoesfera são os dois pilares com os quais o meio científico-técnico introduz a racionalidade no próprio conteúdo do território.”

P. 49,50-1.

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